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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

boto-cinza

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaSotalia spp.
Sotalia fluviatilis no rio Orinoco.
Sotalia fluviatilis no rio Orinoco.
Comparação entre o tamanho de um tucuxi e o tamanho de um ser humano
Comparação entre o tamanho de um tucuxi e o tamanho de um ser humano
Estado de conservação
Espécie deficiente de dadosDados deficientes (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Mammalia
Ordem:Cetacea
Família:Delphinidae
Género:Sotalia
Gray, 1866
Distribuição geográfica
Mapa de distribuição do género Sotalia
Mapa de distribuição do género Sotalia
Wikispecies
Wikispecies tem informações sobre: Sotalia
género Sotalia (Sotalia spp.) é composto por duas espéciesː o boto-cinzaboto ou boto-preto (Sotalia guianensis), e o tucuxipirajaguara ou boto-preto (Sotalia fluviatilis).[1][2] O género pertence à família dos delfinídeos. Tem o hábito de viver em grupo. É muito sociável. Como todos os cetáceos, tem de respirar ar periodicamente, podendo, porém, permanecer submerso por longos períodos. Possui um biossonar que lhe permite localizar objetos e se orientar, utilizando o som e o eco. Geralmente, seus dentes são todos iguais, existindo apenas uma dentição. A maioria dos botos-cinzas se alimenta de peixes e lulas e, ocasionalmente, de crustáceos.
fêmea dá, à luz, apenas um filhote, após um ano de gestação. Durante o trabalho de parto, é comum a mãe ser ajudada por outros membros do grupo. O período de amamentação dura sete meses em média. Os botos-cinzas são ótimos nadadores, atingindo velocidades de até sessenta quilômetros por hora e saltando até cinco metros acima da água. Podem viver até oitenta anos. Utilizam a técnica de pesca em grupo, que facilita o cerco dos peixes. Seu tato é bastante desenvolvido. Ocorrem muitos toques entre os botos, o que, segundo pesquisas, pode ser um tipo de comunicação. Sua principal ameaça são as redes de pesca, onde, por acidente, acabam ficando presos e morrendo afogados. Desde 1986, são proibidas a pesca, caça, perseguição ou captura de cetáceos nas águas brasileiras.
Apesar de serem encontrado em regiões habitadas pelos "verdadeiros" golfinhos de rio, como os botos-cor-de-rosa, é geneticamente mais próximo dos golfinhos marinhos (Delphinidae).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Boto-cinza" e "boto-preto" são referências ao seu dorso escuro e ao seu ventre pardo-violáceo.[3] "Tucuxi" é uma palavra com origem nas línguas caribes.[4] "Pirajaguara" é oriundo da junção das palavras tupis pirá ("peixe")[5] e yawara ("cão").[6]

Biologia[editar | editar código-fonte]

Estudo publicado no ano 2011 na revista Proceedings of the Royal Society apontou que esta espécie tem a capacidade de detectar campos elétricos (eletrorreceptividade) por meio de receptores localizados no focinho. Com isso, a espécie consegue detectar presas em potencial com base nos campos elétricos que esses emitem, a exemplo do que tubarões e arraias fazem. Este sentido existe também em algumas espécies de peixes e anfíbios. Entre os mamíferos, este sentido é conhecido adicionalmente apenas no ornitorrinco.[7]

Espécies[editar | editar código-fonte]

Estudos mostram claramente que as populações marinha e amazônica são resultado de diferentes processos evolutivos, representando duas distintas espécies.[8] O género Sotalia é, portanto, composto por duas espécies:[1]
Costuma viver entre a região costeira do Panamá e a Baía Norte de Florianópolis (Santa Catarina), passando pela região de Guaraqueçaba, que é Área de Proteção Ambiental.[9]
Costuma viver nos rios da região amazônica.

boto-preto

boto-preto

Como ler uma infocaixa de taxonomiaTucuxi
Sotalia fluviatilis no rio Orinoco.
Sotalia fluviatilis no rio Orinoco.
Comparação entre o tamanho de um tucuxi e o tamanho de um ser humano
Comparação entre o tamanho de um tucuxi e o tamanho de um ser humano
Estado de conservação
Espécie deficiente de dadosDados deficientes (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Mammalia
Ordem:Cetacea
Família:Delphinidae
Género:Sotalia
Espécie:S. fluviatilis
Nome binomial
Sotalia fluviatilis
Gervais e Deville, 1853
Distribuição geográfica
Mapa de distribuição do género Sotalia, distribuição do tucuxi a listrado
Mapa de distribuição do género Sotalia, distribuição do tucuxi a listrado
Wikispecies
Wikispecies tem informações sobre: Tucuxi
tucuxi (Sotalia fluviatilis), também conhecido como boto-preto e pirajaguara, é uma espécie de golfinho de água doce existente na bacia do Amazonas.[1][2] Apesar de ser encontrado em regiões habitadas pelos "verdadeiros" golfinhos de rio, como os botos-cor-de-rosa, o tucuxi é geneticamente mais próximo dos golfinhos marinhos (Delphinidae).
Fisicamente, a espécie se parece com Tursiops, mas é diferente o bastante para ser situada em outro gêneroSotaliaSotalia guianensis, que abrange golfinhos de ambientes litorâneos e de estuários, anteriormente fazia parte de Sotalia fluviatilis, mas recentemente passou a formar uma espécie própria.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Tucuxi" procede das línguas caribes.[3] "Pirajaguara" procede dos termos tupis pirá, "peixe", e ya'wara, "cão".[4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A espécie é semelhante aos golfinhos-nariz-de-garrafa, mas costuma ser menor (1,5 metro). A coloração varia de cinza-claro a cinza-azulado no dorso e nas laterais. O ventre é bem mais claro, com um tom rosado. Especula-se que essa coloração reflita um maior fluxo sanguíneo na região.[5] O dorso é levemente curvado. O bico é bem definido e de tamanho moderado. Existem de 26 a 36 pares de dentes nas mandíbulas superiores e inferiores.[6]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Sotalia fluviatilis foi descrito por Paul Gervais e Émile Deville em 1853. Sotalia guianensis foi descrito por Pierre-Joseph van Beneden em 1864. As duas espécies, posteriormente, se tornaram sinônimas, e passaram a constituir subespécies de água doce e de água salgada.[7] O primeiro estudo a reevidenciar diferenças entre as duas espécies foi um estudo morfométrico tridimensional de Monteiro-Filho e colegas.[8] Em seguida, uma análise molecular de Cunha e colegas[9] inequivocamente demonstrou que Sotalia guianensis era geneticamente diferente de Sotalia fluviatilis. A descoberta foi confirmada por Caballero e colegas.[10] com um maior número de genes. A existência das duas espécies foi, então, largamente reconhecida pela comunidade científica.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

O tucuxi habita grande parte do rio Amazonas e muitos de seus afluentes. É encontrado na VenezuelaBrasilPeru e sudeste da Colômbia. Vive somente em água doce.[11]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Os tucuxis caçam em grupos compactos, perseguindo os peixes logo abaixo da superfície da água. Conhecem-se trinta espécies de peixes que costumam ser presas do tucuxiː elas vivem em lagoas, canais e rios de água rápida.[12]

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Os tucuxis formam grupos pequenos de dez a quinze indivíduos, que nadam em formação compacta, o que sugere uma desenvolvida estrutura social. São muito ativos e podem saltar com o corpo todo para fora da água. Não costumam se aproximar de embarcações.
Já foram vistos tucuxis se alimentando junto com outras espécies de golfinhos de rio. Estudos com camadas de crescimento sugerem que podem viver até os 35 anos. O indivíduo mais velho já observado tinha 36 anos de idade.[13]

Conservação[editar | editar código-fonte]

O tucuxi é endêmico nas regiões descritas acima. Não existem estimativas precisas de sua população, embora seja considerada uma espécie de ocorrência comum. Um problema significativo para sua conservação são as redes de pesca. Também já foi registrada caça deliberada para alimentação humana na bacia Amazônica. A poluição é um problema, especialmente a intoxicação por mercúrio causada pela atividade mineradora de ouro. A União Internacional para a Conservação da Natureza também cita a fragmentação de habitat causada pela construção de represas como uma ameaça, embora seja necessário um estudo mais detalhado sobre o tema.[14]
Foi observado que os tucuxis não se mantêm saudáveis em cativeiro. Alguns foram mantidos em aquários europeus, porém o último deles, Paco, morreu em 2009 no Zoológico de Munster.
O tucuxi está listado no Apêndice II da Convenção de Bona como possuindo uma situação pouco favorável de conservação, ou necessitando de cooperação internacional através de acordos personalizados.